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15/03/2019

Comissão de Segurança da Câmara questiona área escolhida para abrigar nova sede do Núcleo Cidadão de Rua

Em busca de soluções para o impasse sobre a mudança do Núcleo Cidadão de Rua localizado na Rua José Calil Ahouagi no centro de Juiz de Fora para a Avenida Brasil 265, a Comissão de Segurança Pública da Câmara voltou a se reunir nesta sexta-feira, 15, com representantes dos moradores dos bairros de Lourdes, Costa Carvalho e Poço Rico, comerciantes e empresários da região, além de representantes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Associação Municipal de Apoio Comunitário (Amac) e Prefeitura.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o atual prédio que abriga a casa de passagem, no centro de Juiz de Fora, não atende às exigências de segurança exigidas por lei como projeto de prevenção de incêndio e saídas de emergência. De acordo com o 2º Tenente Rogério Pereira, a permanência das pessoas no local envolve riscos, por isso a importância da transferência. “É preciso atender a legislação. O Ministério Público (MP) já notificou, nós fizemos vistoria e o local não tem projeto do Corpo de Bombeiros”, disse. Sobre o imóvel escolhido para sediar o núcleo, ele destacou que o local também precisa passar por reformas para receber autorização para o funcionamento. “Temos que analisar o que vai precisar. Ainda não há medidas de segurança e esse novo prédio precisa sim se adequar”, finalizou.

As obras de reforma no novo prédio estão sendo conduzidas pela proprietária do imóvel. Segundo o diretor da Amac João Batista da Silva, mesmo assim, a transferência ainda não está definida, já que as obras precisam atender as exigências necessárias previstas em lei. “É uma parceria privada-privada. A proprietária vai executar as obras e vamos mudar para lá apenas se elas estiverem de acordo com a lei”, disse.

Hoje em Juiz de Fora cerca de 900 pessoas vivem em situação de rua. Apenas 100 usam o Núcleo para tomar banho e dormir. A polêmica que envolve a mudança se deve a localização escolhida. O galpão fica numa área residencial, com comércio e empresas variadas, igrejas, unidade médica, além de três escolas, uma delas com educação integral. Segundo o presidente da Comissão de Segurança da Câmara Sargento Mello Casal (PTB) não foi feito um estudo técnico sobre os impactos que essa transferência pode causar. “Não somos contra a saída do Núcleo do centro, o problema é o local para onde está sendo levado, perto de pessoas vulneráveis, como crianças e adolescentes. A área conta com três escolas. Nossa preocupação é com a segurança, já que ocorrências como uso e tráfico de drogas, furtos e agressões são comuns em áreas assim. Existem estatísticas. Sabemos que não são todas as pessoas que vivem na rua que se envolvem com a criminalidade, mas é fato que a situação existe e preocupa”, alertou.

Segundo o 1º Tenente Heleno Evangelista a Polícia Militar não vai se furtar de apoiar os bairros, mas assumiu que a região não conta com um efetivo grande. “Já trabalhei no centro onde hoje está localizado o albergue. Lá tínhamos um efetivo X. Agora estou na região para onde o serviço pode ser transferido. Nessa nova região o trabalho é feito com o efetivo X dividido por 2. Não vamos deixar de trabalhar duro ali, mas teremos que nos reinventar, até porque teremos menos gente numa área de maior extensão e com muitos conflitos”, afirmou.

Os presidentes das Associações dos bairros de Lourdes e Poço Rico e o representante do bairro Costa Carvalho também temem pelo aumento da criminalidade e toda a insegurança que a decisão vai causar na vida das pessoas. Para eles não se pode resolver um problema criando outros.

A representante da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social Carla Salomão, reconhece que a situação é complexa, mas disse que o papel da Secretaria é o de fazer a gestão nos serviços e para isso é necessário o cumprimento das regras. “Nós não escolhemos endereço, mas apontamos para a Amac a impossibilidade de continuidade no local que o Núcleo está hoje. Já fomos notificados pelo Ministério Público e a situação não pode continuar pelo próprio risco que envolve. Não é seguro e queremos melhorias, queremos que o atendimento aconteça num local maior, mais estruturado e com condições de atrair cada vez mais gente. O novo espaço é adequado e será reformado para atender as exigências. Nós não podemos falar sobre a segurança pública, apenas  das questões sociais que envolvem essa assistência e é isso que estamos fazendo, pontuou.

O Superintendente Amac Alexandre Andrade reconheceu que é um serviço complicado, mas neste momento é preciso sair do atual prédio e o apoio da PM é fundamental. “Em qualquer bairro que escolhêssemos estaríamos aqui hoje ouvindo as mesmas reclamações. A gente entende, mas não temos muito o que fazer. Nós encontramos  um imóvel que tecnicamente vai atender o serviço com uma qualidade melhor. Mas exigem obras de reforma. Já estamos em contato com a proprietária para que isso seja feito num curto espaço. É fundamental que a gente trabalhe junto para resolver essa questão”, disse.

O vereador Marlon Siqueira (MDB) que também integra a Comissão de Segurança Pública da Câmara reforçou que a busca por um novo local é urgente e que a lei exige que o imóvel esteja localizado em  bairros centrais, o que limita as buscas. “Precisamos da colaboração de todos para que a gente encontre um plano B. Hoje ele não existe.  É complicado, existem pessoas com problemas psicológicos e com vícios em drogas. Essas pessoas não podem ser esquecidas. Mas é preciso solução para atenuar o impacto que a instalação do albergue pode causar na região”, falou.

Sargento Mello disse que as conversas vão continuar. “Não vamos parar. É preciso buscar outras alternativas para garantir a segurança de quem vive na região”, finalizou.


Informações: 3313-4734 / 4941 - Assessoria de Imprensa


 

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